quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ele é assim....

Ele é assim, nada vai mudar. Não importa se eu mudar o cabelo, trocar a cor dos olhos, colocar uma roupa nova. Ele não vai me notar. Ele é assim: com a cara sempre fechada, uma cobra dando língua tatuada no braço, desenho bobo de uma criança. Ele é assim : quer tudo perfeito, quer tudo na hora dele, do jeito dele. Em alguns dias eu consegui fazê-lo sorrir, eu adorava esses dias. Nessas horas eu via como ele era apenas uma pessoa normal. Quando era pequena ele era herói, depois que eu cresci o diabo. Eu já aprendi a aceitar. Aprendi a não tentar fazer com que as pessoas mudem. Aprendi do jeito mais difícil o que é ser abandonada. Existe uma pessoa que saiba o que é ser abandonada sem ter vivido isso? Acho que não. Ele me ensinou andar de bicicleta, andar a cavalo, gostar dos animais e da natureza, a odiar feijão. Mas ele me deu traumas, feridas, batidas, xingamentos, sofrimento, culpa... Será que poderia ter sido diferente se eu fosse diferente? Se talvez eu fosse a garotinha que ele esperava? Se talvez eu não tivesse sido uma criança fofoqueira...ele ainda estaria do meu lado, do nosso lado? Por muitos anos eu chorei! Por muitos anos eu só queria gritar! Algumas vezes eu queria lhe dar um tapa! Será que isso é certo? O dia que ele colocou a música que falava genericamente do que passamos eu chorei, depois disso não podia mais ouvi-lá tocar no som que o mundo acabava. Covardia da parte dele! Talvez seja valido lembrar o dia do ano que eu sempre chorava. Sociedade estúpida! Aaahhh e o dia que ele foi embora? Como tentei esquecer esse dia mas não pude. Por anos nao conseguia lembrar dessa história sem ir para o buraco. Eu queria ser perfeita para você. Queria que você me quisesse ao seu lado. Queria meu herói de volta. Mas ele é assim, não é? Não vou muda-lo. Hoje estou melhor, estou colada com fita adesiva, as vezes elas desgrudam, como hoje. As vezes não apenas lembro de você mas começo a acreditar que as pessoas são iguais a você. Uma hora ao meu lado a outra contra mim. Mas essa não é a realidade do mundo, pai? Mesmo assim, mesmo de longe. Um abraço e um beijo.

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